Alugar um carro em Roma, sair direto pela Toscana e dormir no meio das colinas do Chianti. Esse era o plano. Em dois dias visitamos Monteriggioni, Castellina in Chianti e Greve in Chianti, erramos em algumas coisas, acertamos em outras e trouxemos de volta dicas que nenhum guia explica direito.
Aqui vai tudo: o que funcionou, o que custou, e o que você precisa saber antes de pegar um carro na Itália.

Alugando o Carro na Roma Termini
A maioria das pessoas aluga carro no aeroporto de Fiumicino (FCO). A gente pegou na própria Termini, a estação de trem central de Roma, o que foi muito mais prático depois de alguns dias na cidade sem carro.
As locadoras ficam na Plataforma 24 da Termini. Você sai da plataforma principal e sobe um andar de elevador até o Piano 1 (primeiro andar), onde estão a Hertz, Sixt, Budget e várias outras lado a lado. É fácil de encontrar.
A gente reservou pela Hertz pelo site com antecedência (sem pagar no momento da reserva) e, graças ao nosso status President’s Circle na Hertz, recebemos um upgrade na hora: saímos com um Alfa Romeo, primeiro carro desse modelo que dirigi na vida. Porta-mala pequeno, mas com organização certa couberam cinco malas de bordo.
Uma dica importante na saída do estacionamento: não pague os 60€ que aparece na catraca. Aperta o botão de atendimento do totem, explica que alugou o carro na Hertz, e eles liberam manualmente. Simples assim.
O Sistema de Pedágio (PlatePass da Hertz)
Esse é o ponto que gerou mais dúvida e onde tomamos um prejuízo. A Hertz tem um serviço chamado PlatePass: eles colam um dispositivo no parabrisa do carro que faz a leitura automática nos pedágios. Você passa direto sem parar, sempre na faixa amarela ou sinalizada com “Plate”, nunca na azul ou branca.
O problema é o custo: 16€ por dia, independentemente de quantos pedágios você pagar ou deixar de pagar. Para quatro dias de aluguel, foram 60€ a mais só pelo serviço, fora os valores dos pedágios em si.
No nosso caso não compensou. Teria sido mais barato pagar os pedágios manualmente. Se o funcionário da Hertz te oferecer isso como “a melhor opção”, calcule antes de aceitar: some os dias de aluguel, estime quantos pedágios você vai cruzar na sua rota, e veja se 16€/dia realmente sai mais barato do que pagar cada pedágio avulso.

A Hospedagem no Chianti
Depois de três horas de estrada, chegamos à Riserva di Fizzano Residence, nossa hospedagem na região do Chianti. Um apartamento rústico com cozinha completa, sala com lareira (que não podia acender), dois quartos grandes e talheres, panelas, ralador e tudo que você precisaria para cozinhar.
Café da manhã estava incluído. A hospedagem ficaria por base nos próximos quatro dias, perfeita para ir e vir de carro pelos vilarejos ao redor.
A vista interna não era nada especial, mas a região ao redor compensava tudo.

Dia 1: Castellina in Chianti
Como chegamos no domingo e o jantar no hotel só tinha disponibilidade a partir das 20h, decidimos pegar o carro e ir até Castellina in Chianti, uns 15 a 20 minutos de distância.

Atenção: a Itália tem horário próprio para refeições. Restaurantes geralmente abrem para o jantar a partir das 18h30 ou 19h, mas muitos só abrem às 20h. Se você chega com fome às 17h, vai encontrar muita coisa fechada.
Jantamos no La Bottega del Borgo: 4 pratos (3 de adulto, 1 de criança), lasanha, pappardelle com bolognesa, ravióli e macarrão simples para o Samuel. Total: 61€ com coperto incluso. O coperto é a taxa por pessoa cobrada só por você sentar, comum em toda a Itália.

Uma surpresa boa: ao caminhar pela cidade, entramos num corredor medieval fechado que estava recebendo um evento de degustação de vinhos, o Bevo Castelina. Centenas de pessoas num túnel histórico, adegas ao longo do caminho, tudo tomando vinho com aquele barulho de italianos conversando bem alto. A entrada custava 15,30€ por pessoa e dava acesso a uma taça e às degustações do começo ao fim do corredor.
Se você gosta de vinho e estiver nessa região em meados de maio, vale muito checar se o evento está acontecendo.
Dia 2: Monteriggioni
Monteriggioni é uma das cidades medievais mais bem preservadas da Itália. É literalmente uma muralha circular do século XIII com uma cidade dentro. De fora, parece um cenário de filme.

Fica a uns 30 minutos da hospedagem. O estacionamento fica logo abaixo das muralhas e é pago: 2,50€ por hora. Pagamos na máquina usando o cartão Wise.
Atenção ao entrar de carro: fique de olho nas placas de ZTL (Zona de Tráfego Limitado). Se você entrar numa zona ZTL sem autorização, a câmera registra a placa e a multa chega depois pelo correio. Isso é comum em cidades históricas italianas.
Em meia hora dá para atravessar Monteriggioni de uma ponta a outra. A cidade é pequena, mas cada pedra conta uma história. Havia a opção de subir e caminhar por cima das muralhas, mas estava fechada nesse dia. Vale checar no site oficial antes de ir.
O sino de meio-dia tocou enquanto a gente ainda estava lá. Um momento desses você não esquece.
Greve in Chianti
Do Monteriggioni, seguimos para Greve in Chianti, umas 50 minutos de estrada com muitas curvas. Se alguém do grupo enjoa fácil, tome algum remédio preventivo. As estradas da Toscana são lindas mas cheias de curva.
Para estacionar em Greve, usamos o app Easy Park. Carol já tinha o app instalado, cadastrou a placa do carro alugado e o cartão de crédito, configurou o tempo e pagou direto pelo celular. Uma hora de estacionamento coberto saiu por 1,35€ com a taxa. Muito mais simples do que ficar procurando totem.
Fizemos uma parada rápida no La Terraza de 1999 para o Samuel comer alguma coisa. O restaurante não tinha nada no cardápio para criança, mas fizeram um rigatone com bolognesa na hora, sem reclamar. Simples e gostoso.
O ponto alto de Greve foi a visita à Antica Macelleria Falorni, um dos açougues mais famosos da Toscana. Fundada em 1806, a Falorni é referência em embutidos, prosciutto, salame e queijos da região. A loja fica na praça principal de Greve e, além de comprar, você pode degustar produtos na hora. Se for à região, não pule essa parada.
Aproveitamos para dar uma olhada nas lojas de artesanato ao redor da praça. A decisão mais difícil da viagem, segundo o Rudi: escolher o ímã de geladeira da Toscana.
Jantar Feito em Casa
No fim da tarde, voltamos e paramos na Coop de Greve in Chianti para comprar ingredientes. Os supermercados italianos menores têm um horário diferente do que a gente está acostumado: abrem às 8h, fecham ao meio-dia e reabrem por volta das 16h. Chegamos bem na hora da reabertura.
Com 20€ compramos molho de tomate, massa, queijo pecorino, vinho e água para quatro pessoas. Cozinhamos na cozinha da hospedagem e jantamos numa mesa enorme de madeira olhando para o quintal. O macarrão ficou simples, faltou sal e alguns temperos, mas pela metade do preço de qualquer restaurante e com muito mais calma, valeu.

Dicas de Dirigir na Toscana
Algumas coisas que a gente aprendeu na prática:
- Curvas: as estradas entre as cidades são cheias delas. Se alguém enjoa de carro, tome o remédio antes de sair.
- Italianos não têm paciência: se você for mais devagar no seu ritmo de turista, espere buzinadas. Eles não dão luz alta, chegam direto no buzinão. Não é pessoal, é estilo de direção.
- Velocímetro vs. limite da via: o velocímetro do carro às vezes não bate com o que a via permite. Confira as placas.
- ZTL: sempre confira antes de entrar numa cidade histórica se há zona de tráfego limitado. A câmera não perdoa e a multa chega no cartão de crédito da locadora.
- PlatePass da Hertz: o dispositivo no parabrisa parece prático, mas 16€/dia pode sair caro. No nosso caso não compensou. Calcule antes de aceitar.
Resumo de Gastos dos 2 Dias
| Item | Valor |
|---|---|
| Jantar em Castellina in Chianti (4 pessoas) | 61€ |
| Estacionamento Monteriggioni (1h15min) | 2,50€ |
| Estacionamento Greve in Chianti (1h) | 1,35€ |
| Coop Greve in Chianti (jantar em casa, 4 pessoas) | 20€ |
| PlatePass Hertz (não compensou, total 4 dias) | 60€ |
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