A gente usou a Toscana como base por quatro noites e visitou cinco cidades em dois dias: San Gimignano, Siena, Montalcino, Pienza e Montepulciano. Cada uma com personalidade própria, cada uma com pelo menos um desafio de estacionamento e pelo menos uma coisa que valeu muito o esforço. Esse post tem tudo que aprendemos na prática, com os preços que a gente pagou e os erros que você pode evitar.
San Gimignano
No século 13, San Gimignano tinha 72 torres. Cada família rica erguia uma mais alta que a vizinha como símbolo de poder e riqueza. A prosperidade veio do comércio de açafrão, que na época valia mais do que ouro e era exportado para toda a Europa. No auge, a cidade tinha mais torres do que qualquer outra da Europa. Hoje restam 14.
Chegamos no estacionamento de San Gimignano e a cancela estava fechada: lotado, sem vagas. Mas dois carros estavam saindo exatamente naquele momento. O que descobrimos: o sistema é por sensor. Quando um carro sai, o sensor detecta e a cancela abre automaticamente para o próximo entrar. Esperamos, o carro saiu e entramos na hora. Tecnologia simples, mas que quase ninguém sabe na hora.

A cidade é pequena e as lojas de lembrança dominam as ruas. Um destaque inesperado: ímãs em formato de massas. Macarrão, penne, rigatoni, tudo em miniatura e a 6€ cada. A Carol quis um. O Rudi também. Saiu caro.
Subimos as torres para ter a vista da Toscana. O dia estava nublado, então a filmagem não ficou tão impressionante, mas pessoalmente a vista era muito bonita. A escada é estreita e apertada dos dois lados, tem que esperar o pessoal subir antes de você descer, mas o corrimão dá conta.

O gelato obrigatório de San Gimignano é na Gelateria Dondoli, que ganhou o prêmio de melhor gelato do mundo em 2024 e também em 2015. A loja é pequenininha, o pessoal forma fila até o fundo. Quatro gelatos saíram por 17,50€. O veredicto da família: muito bom, mas parecido com o que a gente come no Brasil em boas sorveterias. Não teve aquele diferencial que a gente esperava. A busca pelo gelato perfeito continuou.

Siena
Siena foi rival de Florença por séculos. No auge da Idade Média, era maior do que Paris e tinha os bancos mais influentes da Europa. A Piazza del Campo, com suas 9 seções representando o conselho medieval que governou a cidade, é uma das praças mais bem preservadas do mundo. Duas vezes por ano ela vira palco do Palio, uma corrida de cavalos que os sieneses levam mais a sério do que qualquer outra coisa.
De San Gimignano até Siena são 35 a 40 minutos de carro. Estacionamos no Parcheggio San Francesco e dali até a entrada da cidade são cinco minutos a pé, mas são cinco minutos de subida íngreme. Chegamos exausos na porta da cidade às 15h, com os restaurantes já fechando para o almoço. Dica: chegue antes do meio-dia.

A solução para o almoço foi uma pizza marguerita na La Piccola Ciaccineria, na escadaria do centro histórico. 20€, tamanho grande, caixa com suporte para comer em pé. A gente sentou nas escadas do lado de fora e comeu. Pizza boa. Valeu a pena.
A Piazza del Campo é uma das mais bonitas que já vimos. A gente sentou no chão para descansar, o Samuel correu atrás dos pombos durante um bom tempo. Os restaurantes ao redor só abrem para jantar a partir das 18h30 ou 19h. Se for jantar ali, planeje chegar depois das 18h.

Hotel no Chianti
A hospedagem foi no Riserva di Fizzano Residence, na região do Chianti, no coração da Toscana, e ficamos quatro noites. Reservamos pelo Hoteis.com usando o programa de recompensas deles: a cada 10 noites reservadas, você ganha uma noite gratuita. No nosso caso, a diária gratuita caiu exatamente nessa estadia e o desconto foi de mais de R$ 1.300.

Algumas informações práticas que a gente só descobriu chegando lá. A recepção funciona das 8h30 às 19h. Se você for chegar fora desse horário, avise com antecedência pelo contato do hotel. Não tem serviço de limpeza diária incluído: se quiser, você paga entre 25€ e 30€ por vez. O checkout oficial é às 10h da manhã, mas a gente pediu diretamente na recepção e conseguiu uma hora extra, saindo às 11h.

O hotel tem três quartos que cabem de quatro a cinco pessoas. Se forem só duas pessoas e você quiser uma vista melhor do vale, especifique na reserva que quer um dos quartos menores nas pontas. Esses têm vistas mais abertas. Ah, e as janelas têm telas porque os passarinhos têm ninhos ali. Deixou aberta e o quarto enche de passarinho.
O café da manhã é servido dentro ou na varanda com vista para o vale. O buffet é pequeno e fica repetitivo em quatro dias, mas o cappuccino que dá para pedir na mesa era o ponto alto. A piscina estava gelada em maio. No verão deve ser outra história.

Montalcino
Quando Florença conquistou Siena em 1555, um grupo de nobres sieneses recusou a rendição, fugiu para Montalcino e fundou aqui uma república em exílio dentro dessa Fortezza. Resistiram por mais quatro anos atrás desses muros antes de finalmente se render. A fortaleza que a gente viu é a mesma de então. Mais de 600 anos de pé e ainda intacta.
O último dia foi o de melhor clima da viagem. Sol forte e céu azul desde cedo. Montalcino é uma cidade cercada por muros altos e a Fortezza ainda está de pé e intacta. Para subir e caminhar por cima das muralhas, o ingresso custa 4€ para adultos e 2€ para crianças. A vista de cima é panorâmica e o Samuel queria explorar cada centímetro daqueles muros.

Pienza
Pienza fica no coração do Val d’Orcia, uma paisagem tão perfeita que pintores renascentistas a usavam como cenário ideal nas suas obras. Você já viu esse vale em quadros famosos sem saber que era um lugar real. Aquela estrada de ciprestes que a gente tentou acessar é a imagem mais reproduzida de toda a Toscana.
O restaurante em Pienza foi a maior decepção da viagem. O Bacano, que mudou de nome recentemente, tinha massa com trufa por 18€ mais 2€ de coperto. A porção veio pequena, a trufa mal apareceu no prato, o sal estava faltando. Foi a pior massa que a família comeu em toda a Itália. Para compensar, o gelato que veio depois foi o melhor até então: stracciatella e framboesa com amêndoas na Buongusto Gelateria. Quatro pessoas, ninguém deixou sobrar nada.

Saindo do centro de Pienza, a gente tentou acessar o famoso caminho de ciprestes que aparece em todas as fotos da Toscana. Mas o acesso foi fechado há alguns meses: é propriedade privada e colocaram cancelas e barreiras na entrada. Muita gente ainda para no acostamento da estrada para tentar ver de longe, e é exatamente aí que a polícia circula. A gente parou e saiu com uma multa de 29,40€ no para-brisa. Todo mundo que tinha parado ali estava com o mesmo papel.

O Val d’Orcia é uma das paisagens mais fotografadas do mundo, mas ela não ficou assim por acaso. No século 14, as cidades medievais da Toscana desenvolveram a região para agricultura, plantando ciprestes como divisores de propriedade e abrindo estradas que acompanhavam os cumes das colinas. O que você vê hoje é uma paisagem moldada por séculos de trabalho humano que, por acidente ou não, ficou perfeita.
Mesmo assim, a vista do Val d’Orcia a partir dali é a mais bonita que a gente viu em toda a viagem. Dá para descer uns metros pela encosta e tirar fotos com os ciprestes ao fundo. Não precisa chegar até lá embaixo.

Montepulciano
Montepulciano fica a mais de 600 metros de altitude e a subida íngreme é parte do projeto. A cidade foi construída pelos etruscos há mais de três mil anos justamente nesse ponto alto, que funcionava como fortaleza natural. Qualquer inimigo que tentasse chegar lá em cima chegava já sem fôlego. A gente entende bem o porquê.
De Pienza até Montepulciano são uns 20 a 30 minutos de carro. A cidade tem elevador, mas na hora que a gente chegou ele estava com uma cara meio suspeita e a gente decidiu subir pelas escadas e rampas. Foi muita escada, muita rampa. Se você não estiver com boa disposição física, use o elevador sem culpa. A vista lá de cima compensa, mas o caminho é sério.

Sem internet para pesquisar restaurante, a gente encontrou a La Vineria di Montepulciano já na saída da cidade. O tagliatelle estava uma delícia e a focaccia também. O jantar completo saiu por 41,10€. Restaurante de última hora que funcionou bem.

Dirigindo na Itália
A experiência de dirigir foi positiva. As estradas são bem sinalizadas, as pistas das autoestradas estão em bom estado e dá para trafegar a 130 km/h nas vias de alta velocidade. O ponto de atenção é o sistema de pedágio da locadora: a Hertz oferece um pacote de pedágio por 16€ por dia, mas dependendo da rota você paga menos pagando diretamente. Vale a pena calcular antes de aceitar o pacote.

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