Rudi no quarto Privilege do hotel Mercure Florença com vista para a cidade
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O Que Fazer em Florença: Roteiro de 24 Horas em Família

Florença não tinha muita coisa programada no nosso roteiro. A gente chegou com as malas, devolveu o carro, fez o check-in e saiu andando para onde os pés levassem. Sem ingresso comprado, sem horário marcado, sem lista. Mais de 24 horas depois, a Ionice foi no trem para Bolonha dizendo que esse tinha sido um dos dias mais gostosos de toda a viagem pela Itália.

Nesse post conto tudo que a gente fez, quanto pagou e o que vale ou não vale repetir em Florença com a família.


Devolvendo o carro na Hertz

Antes de qualquer coisa, tinha uma tarefa: devolver o carro. A gente tinha alugado um Alfa Romeu diesel em Roma e ia entregar aqui em Florença. Essa é uma estratégia que vale muito quando o roteiro não é um ponto de ida e volta. A gente chegou por Roma, percorreu a Toscana e vai sair de Milão. Pega de um lado, deixa do outro, e o roteiro flui sem repetir trechos.

Mas antes da Hertz, parei para abastecer. E aqui vai uma dica que pouca gente lembra: descubra o tipo de combustível do carro alugado antes de sair da locadora. O nosso era diesel. Colocar gasolina num carro diesel é um erro caro.

Parei no posto Q8 e fui no self-service, mais barato que o full-service com frentista. O processo é simples: insere o cartão, a máquina pré-autoriza um valor, você escolhe a bomba, abastece e o sistema cobra só o que usou. Fui com o cartão Porto Seguro, que tem cashback do IOF e funciona bem na Europa.

Total: €84,68 para encher o tanque, quase 42 litros a €2 o litro.

Duas dicas de trânsito que aprendi na Toscana e em Florença: atenção aos radares nas entradas e saídas das cidades pequenas (multam a 30 ou 40 km/h, de verdade) e paciência com os ciclistas, que ocupam a faixa e você precisa esperar.

A devolução na Hertz foi tranquila, mas a garagem é quase impossível de achar. Não tem sinalização nenhuma na rua. A logo da Hertz só aparece quando você já está na boca da garagem. Se for devolver aqui, salve o endereço exato antes de sair.

Alugamos pela Hertz por causa do status match. Meu status Accor Platinum me deu acesso ao Hertz President’s Circle, o nível máximo da locadora. Isso garante desconto e upgrade de carro automático.


Check-in no Mercure Florença

Da devolução do carro até o hotel foram 12 minutos a pé, com malas e o carrinho do Samuel. O Mercure Florença fica a 5 minutos da Estação Firenze Santa Maria Novella, o que facilita muito tanto na chegada quanto na saída.

Pelo meu status Accor Platinum, conseguimos upgrade para o quarto Privilege, o maior disponível. E logo que a porta abriu, o Samuel seguiu o ritual: correu para a cama e pulou. Parece uma lei não escrita.

O quarto era grande, com cama King e luminárias de cabeceira. O banheiro chamou atenção: amplo, moderno, com bidê, vaso suspenso e rack aquecedor de toalhas. Coloca a toalha molhada e ela aquece e seca. Todo hotel deveria ter isso. Os amenities eram da Nuxe Paris, marca francesa que nunca tinha visto em hotéis da rede Accor antes.

O frigobar estava liberado, com água, Cocas e Coca Zero incluídos na diária. Tinha também Nespresso com cápsulas repostas diariamente, roupão e pantufa (a pantufa pode levar para casa, o roupão não) e uma varanda bem grande, com vista interna para o pátio do hotel.

Pelo corredor do hotel há um bebedor de água gratuita, gelada com e sem gás. E uma estação de bebidas também gratuita: cappuccino, café americano, macchiato e chocolate quente. Perfeito para não gastar com garrafinha na Europa.

O welcome drink incluído pelo status estava disponível no bar: vinho tinto, vinho branco, Aperol Spritz, cerveja ou refrigerante. A Ionice foi de vinho tinto.

Rudi no quarto Privilege do hotel Mercure Florença com vista para a cidade
O quarto Privilege do Mercure Florença: varanda, cama King e uma vista que compensou o cansaço das malas.

Como o Accor Platinum muda a viagem

Vale parar aqui para explicar como funciona esse programa, porque a diferença é significativa em viagens como essa.

Ao longo dos meses, acumulo milhas a baixo custo: Smiles (Gol), Azul e LATAM. Quando aparecem promoções de transferência bonificada para o programa ALL da Accor, converto com bônus, gerando pontos Accor a um custo bem menor. Com esses pontos reservo hotéis, pago refeições e massagens dentro dos hotéis e ainda garanto descontos de 30% a 60% nas diárias.

Reservar vários hotéis da rede vai construindo o status progressivo. Com o Platinum, os benefícios aparecem automaticamente em todas as reservas: entrada mais cedo, saída mais tarde, upgrades de quarto e welcome drink. O cashback das diárias vem em libras esterlinas e vai para a conta, diminuindo o custo geral da viagem.

Para hotéis fora da rede Accor, usamos o Hotels.com Rewards como complemento. Na região do Chianti, onde não havia hotel Accor, foi exatamente esse programa que usamos para reservar com benefícios.


Dia 1: Almoço no Mercato Centrale

Com o check-in feito, a fome chegou. O Mercato Centrale de Florença é um mercado em dois andares. No primeiro ficam os produtos: frutas, vinhos, focaccia. No segundo andar, acessado por escada, está a praça de alimentação, grande, iluminada e, às 14h30, completamente lotada.

Pedi dois arancini, as bolinhas de arroz fritas recheadas com ragù, a €5 cada. São parecidos com os suppli de Roma, mas diferentes. O arancini de Florença é maior e mais pesado. O gosto é bom, mas comparando com o suppli de Roma, ficou em segundo lugar.

O Samuel tinha pedido macarrão. Chegou, olhou e decidiu que o arancini da Carol era mais interessante. Comeu uma bocada atrás da outra, em silêncio total de quem está concentrado. Nunca tinha visto ele comer assim.

A sobremesa foi morango. Um pote por €5. O pote foi embora em menos de 6 minutos.

O Mercato Centrale funciona bem para almoço. Se possível, chegue antes das 13h para garantir mesa com mais tranquilidade.

Arancini recheado com ragù no Mercato Centrale de Florença
O arancini do Mercato Centrale é maior que o suppli de Roma. Bom, mas o suppli ainda ganha.

Dia 1: Walking tour pelo centro

Depois do almoço, a gente saiu andando sem destino definido pelo centro histórico.

O Duomo e a Porta do Paraíso

Você vira a esquina e ele aparece. O Duomo de Florença (Catedral de Santa Maria del Fiore) é grande demais para qualquer fotografia fazer jus. Paramos só para ver de fora, já que entrar em igrejas não está dentro da nossa programação de viagem. Mas de fora impressiona muito. É possível subir até a cúpula para ter uma vista panorâmica de toda a cidade.

Ao lado do Duomo fica o Batistério de São João, com as famosas portas douradas. A Porta do Paraíso, exposta externamente, é uma réplica. O original está preservado no Museo dell’Opera del Duomo. A lenda conta que Michelangelo ficou tão impressionado com os detalhes originais de Ghiberti que as chamou de dignas do Paraíso.

A rua das lojas e a Apple Store

Caminhando pelo centro, passamos pela avenida com Long Champ, Prada, Michael Kors e Chanel. No meio do caminho, a Apple Store Florença. A fachada do prédio histórico, com arcos e pé-direito muito alto, é mais impressionante do que a loja por dentro. Entramos mais pela arquitetura do que por qualquer produto. O iPhone 17 Pro Max estava por €1.489.

Na saída, um cavalo com carruagem na calçada. Literalmente o maior cavalo que já vi. O animal era enorme, com as patas bem peludas.

Piazza della Signoria e o Davi

A Piazza della Signoria tem a réplica do Davi de Michelangelo. O original está na Galeria dell’Accademia, que não visitamos. Mas a réplica em tamanho real, ao ar livre, é impressionante de ver de perto.

O Samuel olhou para a escultura e disse uma coisa só: “Pelado.”

O Davi é retratado nu por um simbolismo da época. E ele está em um momento específico: antes de enfrentar Golias. De perfil, dá para ver a funda, a arma que usaria para atirar a pedra, passando pelo ombro e descendo até a mão. É discreto, mas está lá.

Rudi na Piazza della Signoria com o Palazzo Vecchio e a réplica do Davi ao fundo
Na Piazza della Signoria com o Palazzo Vecchio ao fundo. A réplica do Davi está logo ali, à direita.

Ponte Vecchio

Do hotel até a Ponte Vecchio são 15 minutos a pé com o carrinho do Samuel. A ponte em si está cheia de lojas de joias e anéis. A gente não entrou. Preferimos descer até uma ponte paralela, de onde a Ponte Vecchio aparece com o Rio Arno no enquadramento. A foto fica melhor e o lugar é muito mais tranquilo.

Carol e Samuel com a Ponte Vecchio e o Rio Arno ao fundo, Florença
Carol e Samuel com a Ponte Vecchio ao fundo. A foto que mais gosto de toda a passagem por Florença.

O sorbet de limão caro demais

Em algum ponto do passeio, paramos diante de uma gelateria que servia sorbet de limão dentro do próprio limão. O menor custava €10, o maior €14. A Carol desistiu na hora. Eu também achei desproporcional: uma bola de gelato normal custa de €3 a €5. Passamos adiante.


Dia 1: Jantar no McDonald’s

Eram 19h quando o Samuel acordou de uma soneca de mais de uma hora. Eu, a Carol e o Júnior (meu cunhado) fomos jantar. Fomos de McDonald’s, a 1 minuto do hotel.

O McDonald’s de Florença é grande: 14 totens de autoatendimento. O pessoal usa de verdade. Pedimos três hambúrgueres e a conta ficou em €14,50 no total.

A experiência não foi boa. O frango chegou murcho, o pão seco. O Big Mac era a opção mais sensata e a gente não foi por ele. Na saída, o arrependimento de não ter ido ao Five Guys, que ficava mais à frente.

Paramos no Conad, o mercado ao lado do hotel, para complementar o lanche. Compramos Milka com wafer e uma batata rústica de 300g por €2. Aprovada.


Dia 2: Café da manhã na Gilli

No dia seguinte, de manhã, o Samuel tomou chocolate quente na estação de bebidas gratuitas do hotel antes de a gente sair. E fomos até a Gilli, uma das cafeterias mais clássicas de Florença, na Piazza della Repubblica. Tem fila para entrar.

Pedi um cappuccino gelado. Muito bom, bem forte, servido numa louça bonita que sozinha já vale o registro. O Samuel foi direto para o maritoso, um pão macio recheado com creme que parece muito doce mas não é. Ele comeu mais da metade antes de eu conseguir uma mordida.

No balcão você come sem pagar o coperto. Se quiser sentar na mesa, paga a mais. A gente ficou no balcão mesmo.

Total gasto: pouco mais de €15.

Rudi tomando cappuccino gelado no café histórico Gilli, Florença
No balcão da Gilli, uma das cafeterias mais clássicas de Florença. O cappuccino gelado valeu muito.

Dia 2: Carrossel na Piazza della Repubblica

Saindo da Gilli, o Samuel avistou o carrossel na praça. E não teve negociação possível.

€5 por uma volta de carruagem puxada por cavalos de madeira. Samuel foi muito feliz. Provavelmente o melhor €5 investido em toda a viagem.

Rudi e Samuel no carrossel da Piazza della Repubblica em Florença
Rudi e Samuel no carrossel da Piazza della Repubblica. O melhor €5 da viagem, sem dúvida.

Dia 2: Almoço na Osteria Vecchio Cancello (1635)

A Osteria Vecchio Cancello existe desde 1635. Chegamos sem reserva e praticamente não havia lugar disponível. Nos deram a única mesa disponível, do lado de fora.

Por dentro, tudo reservado. Aprenda com o nosso erro: faça reserva com antecedência se quiser comer dentro.

Pedi o Peposo: carne florentina cozida lentamente em pimenta preta, servida sobre uma cama de polenta cremosa. €23,50. O prato mais caro de toda a viagem até aquele momento. A carne estava bem passada, mas o sabor era excelente. A polenta era cremosa e consistente, mas sem sal nenhum.

A Carol e o Samuel dividiram a Pasta all’Aglione, massa com molho de tomate e alho, especialidade toscana. €12,50.

Pedimos também um tiramisu que não recomendo. Sem sabor de café, distante do que se espera.

Na Itália não há água gratuita nos restaurantes. Você pede e paga. Aqui foi €3 a garrafa. O coperto (taxa de serviço) saiu a €1,50 por adulto. O Samuel não foi cobrado.

Total da conta: €68. Vale cada euro pela carne e pela pasta.

Pasta all'Aglione na Osteria Vecchio Cancello de 1635 em Florença, com Samuel ao fundo
A Pasta all’Aglione na Osteria Vecchio Cancello. Samuel ao fundo, já com o carrinho de brinquedo na mão.

Dia 2: Cantuccini desde 1920

Perto da osteria tem uma loja de cantuccini, os biscoitinhos de amêndoa florentinos, em funcionamento desde 1920. Dá para degustar todos os tipos antes de comprar.

O clássico com amêndoas ganhou fácil: muito mais crocante que as variações. A tradição local é molhar o biscoito em vinho doce (o Vin Santo), e a loja oferece a bebida junto para você experimentar.

Compramos um saquinho pequeno por quase €12.


Saindo de Florença para Bolonha

Fizemos o checkout e guardamos as malas na recepção. Late checkout não estava disponível. Fomos dar mais uma volta antes do trem.

A Estação Firenze Santa Maria Novella fica a 5 minutos a pé do Mercure, atravessando uma faixa de pedestre.

Na estação, tentei antecipar o horário do trem para chegar mais cedo em Bolonha. A Tarifa Família da Trenitalia inclui o Samuel de graça, mas para mudar de horário cobram a diferença tarifária integral. Nesse caso, mais de €100 de diferença. Desisti.

Dica importante: se comprar a Tarifa Família, saiba que ela tem restrição severa de mudança de horário. Pesquise antes de comprar se precisar de flexibilidade.

Pegamos o trem à tarde. Foram um pouco mais de 24 horas em Florença.


As boas de Florença

  • Mercure Florença próximo à estação: localização perfeita para quem chega ou sai de trem. Benefícios Accor Platinum fazem diferença real.
  • Peposo na Osteria Vecchio Cancello: a revelação gastronômica da viagem. Fazer reserva é obrigatório.
  • Gilli para um cappuccino gelado de manhã: vale cada euro. O maritoso é especial.
  • Cantuccini: compre na loja especializada, não nos mercadinhos turísticos.
  • Porta do Paraíso e o Davi: gratuitos, ao ar livre, inesquecíveis.
  • Carrossel para crianças na Piazza della Repubblica: €5 de satisfação garantida.
  • Mercato Centrale: bom para almoço. Vá antes das 13h para pegar mesa.

O que não foi tão bom

  • McDonald’s: não valeu comparado com o que tem na cidade. Se quiser hambúrguer, vá ao Five Guys.
  • Tiramisu na osteria: fraco, sem sabor de café. Pule.
  • Sorbet de limão: €10 para um sorbet quando o gelato custa €3-5. Não faz sentido.
  • Box do banheiro do Mercure: metade de vidro molha o banheiro todo. Com criança é pior.
  • Garagem da Hertz: sem sinalização externa. Salve o endereço antes de ir.
  • Tarifa Família da Trenitalia: sem flexibilidade para mudança de horário. Atenção na compra.

Investimentos em Florença

Item Valor
Diesel no posto Q8 (quase 42L) €84,68
Mercato Centrale: 2 arancini €10
Morangos para Samuel €5
Carrossel na Piazza della Repubblica €5
Café da manhã na Gilli ~€15
Jantar no McDonald’s (3 hambúrgueres) €14,50
Mercado Conad (Milka + batata rústica) ~€3
Almoço na Osteria Vecchio Cancello €68
Cantuccini (saquinho pequeno) ~€12
Hotel Mercure Florença (1 noite) Via pontos Accor

Perguntas frequentes sobre Florença

O que fazer em Florença em 1 dia? Com 1 dia dá para ver o Duomo e a Porta do Paraíso por fora, a Piazza della Repubblica, a Piazza della Signoria com o Davi, a Ponte Vecchio vista de longe e ainda almoçar no Mercato Centrale e tomar um café na Gilli. O centro é compacto e tudo se faz a pé.

O Mercato Centrale de Florença vale a pena? Vale para almoço rápido com variedade. Chegue antes das 13h para garantir mesa. O segundo andar tem arancini, pizza al taglio, massas e frutas. Os preços são razoáveis para o centro histórico.

Como é a Ponte Vecchio? A ponte em si está cheia de lojas de joias. O que a maioria não sabe é que a melhor vista da Ponte Vecchio é de uma das pontes paralelas, com o Rio Arno no enquadramento. Muito mais fotogênico e menos movimentado.

Onde almoçar bem em Florença numa osteria? A Osteria Vecchio Cancello, desde 1635, foi a melhor experiência gastronômica dos nossos dias na cidade. O peposo florentino vale o preço. Faça reserva com antecedência.

Como ir de Florença para Bolonha de trem? Pela Trenitalia, saindo da Estação Firenze Santa Maria Novella, a 5 minutos a pé do Mercure. Se viajar com criança pequena, avalie bem a Tarifa Família: o filho vai de graça, mas mudanças de horário cobram diferença integral de tarifa.

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