Você já foi desafiado a montar uma viagem inesquecível em plena alta temporada? Foi exatamente o que a Carol fez para comemorar o seu aniversário agora em julho. A missão era clara: viajar para os Estados Unidos, voando de Classe Executiva, e aproveitar uma cidade vibrante ao máximo.
O destino escolhido para o nosso mais novo vlog de viagem foi Chicago, a famosa “Cidade dos Ventos”. Nós montamos um roteiro intenso de quatro dias e já damos um spoiler logo de cara. Achamos Chicago uma espécie de “Nova York melhorada”. Ela é mais limpa, muito menos caótica, incrivelmente plana e dona de uma arquitetura que deixa qualquer um de queixo caído.
Prepare-se para embarcar com a gente dia a dia nessa aventura. Vamos te mostrar como economizamos na passagem de luxo, as curiosidades históricas que descobrimos pelas ruas, a polêmica da “Pizza-Torta” e, claro, abrir a carteira com todos os preços.
Dia 1: A Chegada em Grande Estilo, o Hotel e a Famosa “Pizza-Torta”
Nossa viagem começou nas alturas, com muito conforto na Polaris, a Classe Executiva da United Airlines. Como estávamos viajando em casal, escolhemos os assentos do meio (7D e 7F), perfeitos para quem quer ir juntinho. O espaço vira uma cama totalmente plana (conseguimos dormir umas 5 horas), a tela de entretenimento tem um tamanho ótimo e a necessaire de amenidades estava super completa.
O grande segredo dessa etapa foram as milhas! Emitimos essa passagem na tarifa award usando milhas da Azul. O trecho na Executiva de São Paulo para Chicago nos custou menos de R$ 2.600 por pessoa. A única decepção foi a comida servida a bordo (um bife de chorizo com risoto e um frango com manga). Curiosamente, a comida da Classe Econômica no nosso voo de volta para o Brasil estava muito mais saborosa.
Desembarcamos no aeroporto O’Hare (ORD), que por décadas foi o aeroporto mais movimentado do mundo, e fomos direto para a estação de trem pegar a “Blue Line”. Não perdemos tempo comprando tickets em máquinas. Nós usamos o cartão global da Nomad vinculado ao Apple Pay e simplesmente aproximamos o celular na catraca. Em cerca de 40 minutos, chegamos à estação Washington, no coração do The Loop.
Fomos direto fazer o check-in no nosso hotel, o Fairmont Chicago Millennium Park. Como este seria o nosso refúgio durante a viagem, vale a pena detalhar a experiência. O nosso quarto da categoria “Gold” era lindíssimo e totalmente reformado. Ele contava com uma cama excelente, uma TV da Samsung que beirava as 70 polegadas, espelhos com LED e amenidades cheirosíssimas da grife nova-iorquina Le Labo.
A grande vantagem de ficar nessa categoria foi o acesso ao Gold Lounge. Ter um espaço exclusivo para tomar um café da manhã premium (com salmão defumado, frutas frescas e bagels) e curtir um happy hour com comidinhas e bebidas no final da tarde ajudou a salvar muitos dólares do nosso orçamento.
Com as malas no quarto, a nossa vontade de explorar era tanta que já fomos bater perna. No caminho, paramos na belíssima loja da Apple na beira do Rio Chicago, onde a Carol ganhou um iPhone 15 Pro Max de presente de aniversário.
Caminhamos até o Millennium Park e tivemos a sorte de pegar a famosa Cloud Gate (o “Feijão”) recém-reaberta após reformas. Essa escultura de aço inoxidável reflete o horizonte da cidade e as pessoas ao redor, rendendo imagens incríveis para o vlog. Ali do lado, vimos o impressionante Jay Pritzker Pavilion, um anfiteatro desenhado pelo lendário arquiteto Frank Gehry, onde uma orquestra sinfônica tocava de graça para o público sentado no gramado.
Também nos refrescamos visualmente na Crown Fountain. São aquelas duas torres de vidro icônicas com blocos de LED que projetam rostos de moradores de Chicago “cuspindo” água.
Para o jantar, fomos provar a instituição gastronômica da cidade: a Deep Dish Pizza no Giordano’s. Essa receita foi inventada em Chicago nos anos 1940 para ser uma refeição robusta o suficiente para saciar os trabalhadores industriais da época.
Pedimos o sabor Chicago Classic. A nossa opinião sincera no vídeo é que a massa desmancha e é lotada de queijo, mas parece muito mais um empadão ou uma torta recheada do que uma pizza de verdade. A dica de ouro para esse restaurante é entrar na fila de “Pre-order” logo na porta. Você faz o pedido antes de sentar, assim, quando sua mesa for liberada, a pizza (que demora uns 45 minutos para assar) já chega quentinha!
Dia 2: Compras Frustradas, Cachorro-Quente e o Rio Chicago no Pôr do Sol
O segundo dia amanheceu ensolarado e nós decidimos focar na State Street e nas redondezas para olhar algumas lojas. Entramos na Macy’s, Primark e fomos às farmácias Walgreens e Target. O resultado foi uma grande decepção. As prateleiras de cosméticos estavam vazias e os preços nas alturas. Fica a dica atualizada: compensa muito mais fazer um carrinho na Amazon com antecedência e mandar entregar no seu hotel. A nossa única compra real da manhã foi na Zara, onde garantimos roupinhas para o Samuel por um preço justo.
Aproveitamos para conhecer a Starbucks Reserve Roastery na Michigan Avenue. É simplesmente a maior loja da Starbucks do mundo! São quatro andares luxuosos dedicados à torrefação, padaria e bares de drinks com café. Uma arquitetura impecável que vale a pena conhecer mesmo se você não for consumir nada.
Para o almoço, fomos ao lendário Portillo’s provar o autêntico cachorro-quente de Chicago. Existe uma regra histórica aqui: um verdadeiro Chicago-style hot dog leva salsicha de carne bovina, pão com semente de papoula, mostarda, cebola picada, tomate, um picles gigantesco, pimentão verde (sport peppers) e um toque de sal de aipo. Ketchup é terminantemente proibido! Nós provamos e, sendo honestos, achamos ok. É gostoso, mas não achamos nada espetacular que justifique o tamanho da fama.
Seguindo com as tradições locais, passamos na Garrett Popcorn, uma loja aberta desde 1949. Pedimos o Chicago Mix (uma mistura de pipoca doce de caramelo com pipoca salgada de queijo). Infelizmente, achamos a textura murcha e o gosto de queijo muito artificial. Foi um ponto negativo do dia.
No fim da tarde, caminhamos até o Navy Pier (onde fizemos um lanche rápido no Shake Shack) e partimos para o que foi um dos pontos altos da viagem: o Architecture River Cruise. Usamos o nosso CityPASS para fazer esse passeio de barco de 75 minutos pelos rios da cidade durante o pôr do sol.
Durante a navegação, o guia conta a história do Grande Incêndio de Chicago de 1871. Essa tragédia destruiu a cidade original feita de madeira, mas abriu espaço para engenheiros e arquitetos inventarem o arranha-céu moderno. A vista dos prédios dourados pelo sol refletindo na água é de cinema. Fica um alerta de perrengue: mesmo no verão, venta muito no rio e nós passamos bastante frio no barco. Não esqueçam o casaco!
Fechamos a noite no restaurante The Dearborn. Dessa vez acertamos em cheio na escolha! Pedimos um hambúrguer espetacular para o Rudi, um prato de carne (steak) no ponto perfeito para a Carol e pagamos um upgrade de US$ 5 para acompanhar com couve de bruxelas temperada com parmesão. Foi o jantar mais caro da viagem, porém foi de longe a nossa melhor refeição.
Dia 3: Uma Imersão nos Museus e o Topo da Cidade
Começamos o nosso terceiro dia caminhando em direção ao grandioso Art Institute of Chicago (que abriga obras de Van Gogh e Picasso) e paramos para tirar foto em um marco histórico na calçada. Encontramos a placa de início da Rota 66! A “Main Street of America”, a rodovia mais famosa do mundo, começa bem ali em Chicago e cruza o país até a Califórnia.
Como compramos o CityPASS, agendamos pelo aplicativo a nossa manhã para o Museum Campus. Esta é uma área verde linda à beira do Lago Michigan que concentra os grandes museus da cidade.
Começamos pelo Shedd Aquarium. O lugar é imenso e ficamos impressionados. Vimos as belugas, os tubarões e o Samuel que habita em nós adorou tocar em um esturjão (uma espécie considerada um fóssil vivo). Apenas achamos as apresentações educativas com os animais muito rápidas.
Dali, fomos andando para o Field Museum de História Natural. É um lugar onde você precisa reservar no mínimo três horas do seu dia. O museu conta a história do planeta Terra e abriga mais de 20 milhões de espécimes. O grande astro do local é a “Sue”, simplesmente o fóssil de Tyrannosaurus Rex maior e mais bem preservado já descoberto no mundo. Ficar frente a frente com os dentes da Sue é uma experiência que arrepia.
No fim da tarde, era hora de ver Chicago de cima. Fomos ao Skydeck na Willis Tower (que muitos moradores locais ainda chamam de Sears Tower). Uma curiosidade rápida é que, quando foi inaugurado em 1973, este foi o prédio mais alto do planeta por incríveis 25 anos.
Subimos até o 103º andar bem na hora em que o sol estava caindo. A vista em 360 graus da malha urbana se misturando com a imensidão do Lago Michigan é uma pintura. No entanto, havia uma fila de quase 90 minutos para tirar foto no The Ledge (aquelas famosas caixas de vidro que ficam suspensas para fora do prédio).
Dia 4: O Outlet Fraco, a Origem do Brownie e a Despedida
Para o nosso último dia, resolvemos dar uma chance aos outlets americanos. Pegamos a Linha Azul do metrô e depois o ônibus gratuito da Pace até o Fashion Outlets of Chicago, localizado na região de Rosemont.
Levou quase uma hora para chegar e, sendo bem transparentes, não valeu o esforço. O shopping é totalmente fechado, mas as lojas nos pareceram muito caras (uma calça jeans na Levi’s custava cerca de US$ 70, por exemplo). A única exceção que salvou a visita foi a loja da Nike, que estava com uma promoção real de 40% de desconto na parede inteira de calçados.
Voltamos frustrados para o centro, mas Chicago ainda nos reservava uma surpresa muito doce. Fomos visitar o Palmer House, um hotel histórico da rede Hilton com um lobby que parece um palácio, coberto de afrescos no teto e lustres de ouro.
Fomos até lá porque este hotel guarda um segredo maravilhoso da culinária. Foi lá que o Brownie foi inventado! Em 1893, Bertha Palmer pediu ao chef do hotel uma sobremesa que as senhoras pudessem levar em caixinhas durante a Exposição Universal de Chicago. Assim nasceu o primeiro brownie do mundo, feito com nozes e cobertura de damasco.
Compramos o brownie original na confeitaria do próprio hotel. Ele não é o brownie super chocolatudo e escuro que estamos acostumados no Brasil. Ele é bem mais macio, muito recheado com nozes e incrivelmente doce devido à cobertura de damasco. Valeu muito pela experiência histórica de provar a receita original.
Terminamos nosso vlog caminhando sem rumo pelas ruas da cidade. Chicago nos surpreendeu de um jeito muito positivo. Suas ruas limpas, a sensação de segurança, o transporte fácil e a imensidão dos parques deixaram aquela certeza de que precisamos voltar em breve com o Samuel.
As boas de Chicago
- Voo de Executiva barato: A cabine Polaris da United é muito confortável para casais (assentos do meio). O melhor foi emitir a passagem pagando preço de econômica usando milhas da Azul;
- Praticidade no transporte: Pegar a Blue Line do aeroporto para o centro foi super fácil. Poder pagar a catraca direto pelo celular por aproximação (usamos a Nomad no Apple Pay) evitou filas e compra de tickets físicos;
- Fairmont Chicago: Quarto maravilhoso, com cama excelente, TV gigante e amenidades da Le Labo (maravilhosas!). O acesso ao Gold Lounge foi o grande diferencial, garantindo cafés da manhã premium e happy hour com comidinhas que salvaram nosso bolso no jantar;
- Vibe da cidade: Chicago é muito plana, limpa e bem cuidada. Achamos muito menos caótica que Nova York. Caminhar pelo Millennium Park e ver a arquitetura na beira do rio é um passeio gratuito e espetacular;
- Atrações do CityPASS: O Field Museum é formidável (a T-Rex “Sue” impressiona demais) e o passeio de barco Architecture River Cruise no pôr do sol te faz entender a verdadeira história da cidade;
- Compras na Amazon: Como as lojas de rua estavam fracas, a melhor estratégia foi comprar as coisas online na Amazon e mandar entregar direto no hotel.
O que não foi tão bom
- Comida da Classe Executiva: O serviço de bordo e a comida da United deixaram bastante a desejar para o padrão executivo. A comida da econômica na nossa volta ao Brasil estava muito superior;
- A “Pizza-Torta” de Chicago: A famosa Deep Dish Pizza no Giordano’s desmancha na boca e tem muito queijo, mas achamos muito pesada e sem gosto de pizza tradicional. Não curtimos muito;
- Filas absurdas: O Skydeck da Willis Tower tem uma vista linda, mas a fila para tirar foto na famosa “caixa de vidro” (The Ledge) passava de 1h30;
- Lojas e Outlets: Pegar quase uma hora de transporte para ir ao Fashion Outlets of Chicago (Rosemont) não valeu a pena. Preços altos e poucas opções. As farmácias do centro (Walgreens e Target) também estavam com prateleiras vazias e preços inflacionados;
- Decepções gastronômicas: A pipoca Garrett estava com textura murcha e o Portillo’s (cachorro-quente clássico) não entregou nada de muito diferente que justificasse o burburinho.
Investimentos de viagem e comilança em Chicago
- Voo em Classe Executiva (São Paulo para Chicago): Menos de R$ 2.600,00 por pessoa (Tarifa Award emitida com milhas Azul);
- Giordano’s (Deep Dish Pizza): US$ 37,61 (Pizza pequena clássica de Chicago com taxas e gorjeta);
- Portillo’s (Cachorro-quente): US$ 16,27 (Combo 2, com dois lanches, batata pequena e bebida);
- Wildberry Pancakes: US$ 62,00 (Café da manhã com panquecas e ovos beneditinos, já com gorjeta);
- The Dearborn: US$ 85,29 (Um hambúrguer, um prato de carne, upgrade de couve de bruxelas, taxas e gorjeta);
- Shake Shack: US$ 30,80 (Lanche rápido no Navy Pier);
- Garrett Popcorn: US$ 8,00 (Tamanho médio, mix de queijo e caramelo);
- Zara Kids: US$ 26,42 (Comprinhas de roupinhas básicas para o Samuel).








