África do Sul

Roteiro de 5 Dias na Cidade do Cabo com Criança (Com Preços!)

Você já imaginou um lugar onde montanhas imponentes abraçam o oceano e a natureza parece ter sido desenhada à mão? Bem-vindos à Cidade do Cabo, na África do Sul.

Nós escolhemos esse destino espetacular para celebrar o aniversário do Rudi (que, como ele mesmo diz, depois dos 40 a gente para de contar a idade!) em um roteiro intenso para tirar o fôlego. Mas a grande dúvida que sempre recebemos é: será que dá para curtir um destino com natureza tão selvagem e passeios tão longos acompanhados de uma criança de apenas quatro anos?

Neste guia completo e sem filtros, vamos provar que não só é possível, como é uma viagem inesquecível. Preparamos o nosso roteiro detalhado para famílias, contando as histórias de cada local, mostrando nossos acertos, as atrações que resolvemos pular e, o mais importante, abrindo o jogo sobre os preços em Rands para te ajudar a planejar a sua aventura.

A Chegada: Hotel, Uber e os Benefícios do Status

O nosso voo chegou bem cedo na África do Sul. Para a nossa hospedagem, escolhemos o Hotel Pullman, localizado na região central da cidade (City Center). Do aeroporto até lá, e durante os nossos primeiros passeios urbanos, usamos apenas o aplicativo Uber. Além de ser uma opção com excelente custo-benefício na Cidade do Cabo, é muito seguro.

Aqui entra uma estratégia valiosa para quem viaja em família: o uso de status em programas de fidelidade. Graças ao nosso status Platinum no programa ALL Accor, conseguimos fazer o check-in antecipado logo pela manhã. Chegar exaustos de um voo longo com o Samuel e poder ir direto para o quarto descansar muda totalmente o clima da viagem.

Além de um upgrade de quarto, nosso status nos deu acesso ao Lounge Executivo do hotel. Todos os dias, no final da tarde, o lounge oferecia comidas e bebidas (incluindo vinhos e cervejas) como cortesia, o que nos ajudou a economizar em vários jantares. A equipe do hotel ainda nos surpreendeu com um cartão de boas-vindas e um bolinho de aniversário para o Rudi.

O Coração da Cidade e o Aquário

O hotel oferecia uma van gratuita que nos deixou direto no Victoria and Alfred Waterfront, o principal polo turístico da cidade. É um porto histórico ainda em operação, cercado por restaurantes, lojas, artistas de rua e com a majestosa Table Mountain compondo o cenário ao fundo.

Fomos almoçar no Time Out Market, um mercado gastronômico vibrante que reúne opções de vários chefs locais. Pedimos dois hambúrgueres excelentes com batata frita e um prato de macarrão com queijo para o Samuel, e a conta ficou em cerca de 320 Rands. O local é perfeito para famílias porque a comida sai rápido e, bem em frente, existe um parquinho gigante e gratuito, com piso emborrachado e estruturas de corda, onde o Samuel brincou bastante antes de tomarmos um sorvete de casquinha na rua.

Dali, caminhamos até o Two Oceans Aquarium. O ingresso custou 650 Rands para nós três. O projeto foca inteiramente na vida marinha dos oceanos Índico e Atlântico, além de ter um trabalho forte de conservação e reabilitação de tartarugas marinhas. Ficamos maravilhados com a imensa floresta subaquática de algas gigantes (Kelp Forest), observamos os pinguins e passamos um bom tempo na galeria escura, iluminada apenas pelo brilho natural de dezenas de águas-vivas.

A Subida Panorâmica na Table Mountain

Uma das atrações principais da viagem foi conhecer a imponente Table Mountain (Montanha da Mesa), considerada uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo. A dica essencial aqui é: compre ingressos online com antecedência e chegue cedo. Mesmo com ingresso na mão, pegamos uma fila de quase uma hora no sol (felizmente, eles disponibilizam aspersores de água para refrescar quem está esperando).

A subida é uma atração à parte. O teleférico foi inaugurado em 1929 (quando cabiam apenas 19 pessoas) e hoje opera com cabines super modernas para 65 pessoas. O grande diferencial é que o chão da cabine gira 360 graus em seu próprio eixo durante a subida, dando uma visão panorâmica perfeita para todos, não importa onde você esteja em pé.

Lá no topo, o terreno é rochoso, extenso e muito plano, permitindo caminhar com segurança com crianças. A vista da cidade e do oceano é indescritível, mas fica o alerta: o vento lá em cima é muito forte. Leve sempre um casaco na mochila. Aproveitamos para tirar a clássica foto na moldura amarela que fica posicionada estrategicamente no platô.

Aluguel de Carro e a Rota da Península

Para explorar a costa no nosso próprio ritmo, alugamos um carro na Hertz, que ficava a poucos minutos a pé do nosso hotel.

Nós tínhamos reservado o modelo mais básico disponível. Mas, usando novamente o nosso status da Accor, solicitamos um “Status Match” na locadora. A estratégia deu certo: garantimos o status máximo na Hertz e recebemos um upgrade para um Suzuki Starlet, um carro que nos atendeu super bem para rodarmos nos dias seguintes. A direção na África do Sul é na mão inglesa (volante na direita), então os primeiros quilômetros exigem atenção, mas as estradas são impecáveis.

Estrada Cênica, Pinguins e a Hora de Dizer Não

Nossa rota pela costa começou pela icônica Chapman’s Peak Drive. É uma estrada cênica construída em 1922 com o trabalho de prisioneiros, esculpida diretamente na face da rocha, com 114 curvas suspensas sobre o Oceano Atlântico. Pagamos o pedágio de 66 Rands (por aproximação no celular) e paramos nos mirantes. Em seguida, fizemos uma parada rápida na praia de Noordhoek, onde o Samuel se divertiu escalando as dunas de areia branca.

Nosso próximo destino foi a Boulders Beach, o santuário dos pinguins africanos (também conhecidos como pinguins de óculos). Pagamos 245 Rands por adulto e 120 Rands para criança. Você caminha por passarelas de madeira que protegem o habitat, permitindo ver a colônia espalhada pelas pedras. Uma dica valiosa: não vá até o final da passarela, que costuma ficar lotado; pare nas pedras anteriores, onde a vista é livre e muito mais tranquila.

Para o almoço, paramos no Seaforth Restaurant, ali perto. Pedimos Fish and Chips para o Samuel (70 Rands) e um peixe do dia grelhado para a Carol (345 Rands), com a conta fechando em 496 Rands. Um detalhe curioso: pedimos água da casa para beber, mas a própria garçonete nos aconselhou a não tomar a “tap water”, então fomos de refrigerante. Após o almoço, descemos para a prainha gratuita em frente ao restaurante. A água era transparente, mas absurdamente fria.

Com as energias recarregadas, dirigimos até a entrada do Parque Nacional do Cabo da Boa Esperança. Ao chegarmos na guarita, veio a surpresa: o ingresso custava 550 Rands por adulto. A conta passaria de 1.200 Rands apenas para entrar no parque com o carro. Achamos o valor desproporcional para o tempo que tínhamos e decidimos dar meia-volta. Viagem também é sobre saber a hora de não fazer um passeio se ele não fizer sentido financeiro para a sua família.

No caminho de volta, paramos em Kalk Bay, uma vila de pescadores super charmosa com trens passando à beira-mar. No cais, vivemos um dos momentos mais legais do dia: vimos enormes leões marinhos dormindo no concreto, descansando a poucos metros dos pescadores e turistas.

Passeio pelas Vinícolas de Stellenbosch

Com o carro alugado, também fomos para Stellenbosch, a principal região vinícola do país, a cerca de 40 minutos do centro. O cenário muda completamente para vales com montanhas dramáticas. A cidade é famosa por sua arquitetura histórica holandesa e é chamada de “Cidade dos Carvalhos”, por conta das enormes árvores nas ruas. Estacionamos pagando 10 Rands a hora em um parquímetro e aproveitamos para comprar um estilingue de madeira de presente para o Samuel em uma lojinha local.

Visitamos três propriedades que provam que é possível fazer roteiro de vinhos com crianças:

  • Tokara: Muito moderna, com jardins repletos de obras de arte e corredores de oliveiras.
  • Delaire Graff Estate: Pertence ao bilionário britânico Laurence Graff, o “Rei dos Diamantes”. O luxo é impressionante, com loja de alta joalheria logo na entrada. Não sentamos no restaurante refinado, mas fomos ao terraço do café. Tomamos café gelado e cappuccino com vista para o vale por preços muito justos.
  • Spier: Datada de 1692, é focada em sustentabilidade e é a melhor opção para famílias. Em vez de ir ao restaurante formal, fomos à padaria da fazenda (Picnickery). Compramos sanduíches, snacks e iogurte por cerca de 220 Rands e comemos nas mesas ao ar livre, cercados por gramados verdes e patinhos. O Samuel adorou o parquinho de madeira com pontes em formato de ninho de pássaro.

Praia Gelada, Jardim Botânico e a Melhor Refeição

Na nossa passagem pela badalada praia de Camps Bay, o visual das montanhas “Doze Apóstolos” descendo em direção à areia branca foi de cinema. Alugamos duas espreguiçadeiras e um guarda-sol por 300 Rands (o vendedor tentou cobrar 400, mas nós negociamos). A estrutura é ótima, mas não se engane: a água do mar é tão gelada que chega a doer. O Samuel adorou fazer castelos de areia, mas o banho de mar foi apenas para os muito corajosos.

Atravessamos a rua e almoçamos no restaurante Bovine. Foi o nosso almoço mais caro, mas valeu cada centavo, sendo a melhor refeição de toda a viagem. A carne Ribeye (450 Rands) estava no ponto perfeito, e o Nhoque de Ragu de Wagyu (330 Rands) derretia na boca. A conta total fechou em 870 Rands.

Ainda tivemos tempo de visitar o Kirstenbosch Botanical Garden. Pagamos 500 Rands o casal (o Samuel não pagou). É o primeiro jardim botânico do mundo criado para proteger a flora nativa (o bioma Fynbos) e é reconhecido pela Unesco. A estrutura é incrível, com uma famosa passarela suspensa por cima da copa das árvores.

Dentro do jardim, aproveitamos para jantar no restaurante Moyo, focado em cultura africana. Foi lá que experimentamos a carne de Kudu (um antílope local) servida no espeto. A carne era extremamente macia e saborosa. A conta total do jantar deu 495 Rands.

Dicas Práticas sobre Dinheiro na África do Sul

Durante os cinco dias, nós não usamos dinheiro em espécie para absolutamente nada. A moeda local é o Rand (ZAR), e nós utilizamos o cartão global da Wise através do celular (Apple Pay/Google Pay).

Pagamos tudo por aproximação: pedágios, estacionamentos, restaurantes, lojas e até a entrada do parque dos pinguins. É a forma mais prática e barata de viajar, fugindo das altas taxas do cartão de crédito tradicional no Brasil. Outra dica valiosa de economia é comprar garrafas de água em supermercados locais (pagávamos em torno de 8 Rands) para levar aos passeios, já que nos pontos turísticos ela pode chegar a custar 24 Rands.

Antes de devolver o carro na locadora, paramos no posto. Após rodarmos muito pela península e pelas vinícolas, o tanque precisou de apenas 15,7 litros de gasolina, que custaram 323 Rands. O carro se provou excelente e muito econômico.

Veredito: Cidade do Cabo com Crianças vale a pena?

Nossa experiência provou que a Cidade do Cabo é um destino formidável para famílias. A logística urbana é fácil, a culinária é rica e com preço justo, e os passeios encantam todas as idades. O grande segredo é o equilíbrio: você visita uma vinícola histórica e exuberante e, em seguida, deixa as crianças correrem no parquinho ou verem os animais na praia.

Se você quiser ver as imagens impressionantes de todas essas paisagens e conferir a reação do Samuel, inscreva-se no nosso canal no YouTube e assista à nossa série completa de vídeos na África do Sul.

Nós também mostramos nossos bastidores de viagem e ensinamos as estratégias para emitir passagens de luxo com milhas todos os dias no nosso Instagram @rudiecarol.

E você, teria coragem de entrar na água congelante de Camps Bay ou prefere o conforto de um café nas vinícolas luxuosas? Deixe o seu comentário aqui embaixo!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também vai gostar desses posts