Milão foi a última parada da nossa viagem pela Itália antes de seguir para Madrid e depois voltar para o Brasil. Fomos eu, Carol, Samuel, a Nice (minha sogra) e o Júnior (meu cunhado), e em menos de 48 horas deu tempo de ver o Duomo, entrar na Galeria Vittorio Emanuele II, passar boa parte de um dia inteiro no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci e ainda fazer compras em várias lojas diferentes. Neste post está tudo que rolou, o que valeu a pena e quanto cada coisa custou.
Chegada em Milão: o desafio do check-in
A primeira parada foi o Ibis Styles Milão. E logo na chegada veio o primeiro perrengue: o quarto ainda não estava disponível para o early check-in.
A reserva tinha sido feita como dois quartos de dois adultos, uma estratégia que eu uso em vários países, inclusive no Brasil: como o Samuel dorme junto com a gente, reservar dessa forma costuma sair mais barato do que declarar quatro adultos e uma criança de uma vez. Só que a recepção do hotel estranhou, porque a legislação italiana permite apenas duas pessoas por quarto reservado. Depois de uma conversa, o hotel conseguiu liberar um quarto único para acomodar o Samuel junto com a gente.
Saiu mais caro do que eu tinha planejado: 200€ a mais, além de 10.000 pontos ALL Accor usados para fazer o upgrade de quarto. Sem esse upgrade, não teria sido possível colocar a gente todo no mesmo espaço.
A taxa de turismo de Milão é de 7€ por dia, por adulto, paga obrigatoriamente em dinheiro. Nem cartão nem pontos são aceitos para essa taxa em Milão, o mesmo aconteceu em Roma e Florença. Já em Bolonha, os pontos cobriram até a taxa de turismo. Ou seja: vale sempre perguntar na recepção de cada cidade, porque não existe um padrão único na Itália.
O quarto 340, depois de resolvido, agradou: sem carpete no piso (diferente do corredor, que tinha carpete), uma reforma recente visível apesar do prédio antigo, cama queen mais duas camas de solteiro, e um banheiro com janela e luz natural, algo que eu nunca tinha visto antes em um hotel.

Almoço japonês na La Gyozeria
Ainda no primeiro dia, almoçamos na La Gyozeria, a cerca de 10 minutos a pé do hotel. O restaurante tem uma decoração temática: paredes com grafite e um espaço montado como se fosse um vagão de trem, batizado internamente de “Guioza Express” e “Guiosa Station”.
O pedido é feito direto pelo QR code na mesa, sem precisar chamar garçom. Pedimos um bao, três porções de gyoza, takoyaki (bolinho de polvo) e um wrap de frango empanado. Foi a primeira vez que o Samuel comeu gyoza, e ele aprovou. Conta final: 48,90€.

Duomo de Milão e a Praça do Duomo
De metrô, chegamos até a Praça do Duomo. O Samuel, como sempre, saiu correndo atrás dos pombos assim que pisou na praça.
O Duomo de Milão é a maior obra gótica da Itália: quase seis séculos de construção, entre 1386 e 1965, terminada a mando de Napoleão. Tem mais de 3.400 esculturas na fachada, mais que qualquer outro edifício do mundo. E bem na praça em frente, a galeria mais chique da cidade dá as boas-vindas a quem chega em Milão.

Livraria Mondadori ao lado do Duomo
Colada na praça, tem a livraria Mondadori, grande e muito bem decorada, com um andar inteiro dedicado só a livros infantis. Existe até uma área temática de mangá e anime, com produtos de One Piece. O Samuel aproveitou para escolher um livro do Homem-Aranha.
Pizza rápida na Spontini Milano e gelato na Artico Gelateria
Como o Samuel tinha comido só um pouco de gyoza no almoço japonês, paramos na Spontini Milano, famosa pela fatia de pizza grossa, que eu comparei à pizza estilo “Dom Bosco” de Brasília. A fatia saiu por 5,70€. Um detalhe que chamou atenção: não cobraram nada pela embalagem para viagem, diferente do que costuma acontecer em outros lugares.

Nessa parada, o Júnior aproveitou para buscar um gelato ali do lado, na Artico Gelateria, a dois minutos andando. Na opinião dele, foi o pior gelato da viagem em comparação com os outros que já tínhamos experimentado, mas ainda assim um gelato bom.
Galeria Vittorio Emanuele II
A Galeria Vittorio Emanuele II fica colada na Praça do Duomo e liga direto ao Teatro La Scala. Construída no fim do século 19, foi uma das primeiras galerias comerciais cobertas do mundo, com uma cúpula de vidro e ferro de mais de 30 metros de altura. A Prada abriu sua primeira loja bem ali, em 1913.

Café da manhã na Vailati a Milano
No segundo dia, o café da manhã foi na Vailati a Milano, padaria local desde 1963, perto do hotel. A conta fechou em 16,70€: pão seco sem manteiga, dois cappuccinos, um suco de laranja natural e uma torta de espinafre que aprovei bastante.
Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci
Esse foi o grande destaque das quase 48 horas em Milão, um passeio que quase ninguém mostra no YouTube brasileiro.
O ingresso foi comprado direto na bilheteria: 13€ para adulto e 8€ para criança acima de 3 anos. Desconto de idoso só é aplicado acima de 75 anos. Logo na entrada, um QR code dá acesso ao mapa completo do museu.
O Museu Leonardo da Vinci é o maior museu de ciência e tecnologia da Itália, guardado num complexo do século 16 no centro de Milão. A galeria principal reúne modelos de madeira baseados nos cadernos de Leonardo: máquina voadora, tanque de guerra, guindaste, desenhados por ele há mais de 500 anos.
Na seção de trens, dá para ver de perto locomotivas históricas, como a E.431, elétrica, de aproximadamente 1900, que rodava a até 34 km/h, e outra unidade de cerca de 1923, que chegava a 100 km/h com potência de 1300 kW.

É possível entrar dentro de uma das locomotivas e ver a cabine e o compartimento onde o maquinista colocava carvão. Bem do lado das locomotivas tem um bondinho antigo, e o Samuel aproveitou pra sentar dentro dele.

O museu também abriga o submarino Enrico Toti (S506).

Na área de embarcações, outro destaque é o Brigantino-Goletta Ebe, de 1921, além de miniaturas de caravelas, incluindo uma réplica de 1628 em escala 1/50.

No hangar de aviação, tem aeronaves históricas que voaram de verdade, de diferentes décadas da aviação italiana, lado a lado num galpão enorme. O Samuel aproveitou para sentar na cabine de um avião suspenso, no lugar do piloto.
Na seção de transporte terrestre, dá para ver carros antigos que ajudaram a construir a indústria automobilística da Itália, muito antes das marcas que hoje todo mundo conhece.

E tem até uma área dedicada ao espaço. A Itália foi o terceiro país do mundo a lançar um satélite próprio, em 1964. Poucos anos depois, os italianos passaram a lançar foguetes de uma plataforma flutuante na costa do Quênia, perto da linha do equador. Essa história pouco conhecida ganhou um espaço inteiro dentro do museu, com modelos e réplicas que mostram a participação italiana na corrida espacial.
Almoço na Trattoria Milanese
Depois do museu, fomos almoçar na Trattoria Milanese. O Samuel pediu nhoque de batata.

A Nice pediu carbonara e o prato clássico da casa foi a cotoletta alla milanese, que eu pedi. Achei a carne saborosa, mas seca, e reparei que veio sem nenhum acompanhamento extra no prato.

Compras em Milão: Primark, Normal, OD Store e Apple Store
A tarde de compras rendeu paradas em quatro lugares diferentes.
Na Primark, loja de cinco andares (contando térreo e subsolo), procuramos roupas e presentes para o Samuel: um vestido, itens licenciados da Disney por 16€, meias (um pacote de 10 por 4€ e outro de 7 pares), cuecas (10 por 7€) e um pijama de 12€. Paguei com o cartão Porto, que oferece cashback de IOF e um spread de conversão que achei excelente para a Itália.
Depois vieram duas paradas em lojas de variedades. A primeira foi a Normal, já conhecida da gente desde Bolonha, com itens entre 1€ e 3,50€, de marshmallow a produtos de higiene como Listerine. É uma loja em formato de labirinto de sentido único, então vale entrar disposto a percorrer o caminho todo até o caixa. A segunda foi a OD Store, com dois andares de doces: marshmallow, Toblerone por cerca de 13€, biscoito de Nutella e pipoca com Twix.
Por fim, a Apple Store, com fila de 25 a 30 minutos só para ser atendido. Cheguei a cogitar um iPhone, mas só tinha a cor laranja disponível no estoque, então a compra final foi um MacBook Air de 13 polegadas por 1.499€.
As Boas de Milão
- Conseguir resolver o quarto único para a gente toda, mesmo com a lei italiana limitando duas pessoas por quarto
- O Museu Leonardo da Vinci superou a expectativa, com destaque para as locomotivas e o hangar de aviação
- A Galeria Vittorio Emanuele II e o Duomo, a poucos passos um do outro, facilitam bastante o roteiro a pé
- Ar-condicionado forte em quase todas as lojas, um alívio no calor de Milão
O Que Não Foi Tão Bom
- O upgrade de quarto custou 200€ a mais, além dos pontos ALL Accor usados
- A taxa de turismo só pôde ser paga em dinheiro, sem aceitar pontos nem cartão
- A cotoletta alla milanese da Trattoria Milanese veio seca e sem acompanhamento
Investimentos do Dia em Milão
| Item | Valor |
|---|---|
| Upgrade de quarto (Ibis Styles Milão) | 200€ + 10.000 pontos ALL Accor |
| Taxa de turismo (por adulto/dia) | 7€ |
| Almoço japonês (La Gyozeria) | 48,90€ |
| Fatia de pizza (Spontini Milano) | 5,70€ |
| Café da manhã (Vailati a Milano) | 16,70€ |
| Ingresso Museu Leonardo da Vinci (adulto) | 13€ |
| Ingresso Museu Leonardo da Vinci (criança acima de 3 anos) | 8€ |
| MacBook Air 13″ (Apple Store) | 1.499€ |
Dicas Práticas para 2 Dias em Milão
- Reserve o ingresso do Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci com folga na agenda: dá para passar boa parte do dia lá dentro só na seção de trens e aviação.
- Se for se hospedar em rede como a Accor, pergunte antes se a taxa de turismo da cidade aceita pagamento em pontos. Em Milão, Roma e Florença, só em dinheiro.
- A Galeria Vittorio Emanuele II e o Duomo ficam a poucos metros um do outro, dá para fazer os dois no mesmo passeio a pé.
- Para pagamentos internacionais, vale comparar o spread do seu cartão com uma conta multimoeda.
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Perguntas Frequentes
Quantos dias são o suficiente para conhecer Milão? Menos de 48 horas dá para conhecer o essencial: Duomo, Praça do Duomo, Galeria Vittorio Emanuele II e um passeio completo pelo Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci, além de tempo livre para compras.
O que não pode deixar de fazer em Milão em 2 dias? O Duomo de Milão e a Galeria Vittorio Emanuele II são obrigatórios, já que ficam um ao lado do outro. Para quem viaja com criança, o Museu Leonardo da Vinci é um dos passeios mais completos da cidade.
Vale a pena visitar o Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo da Vinci? Sim. É o maior museu de ciência e tecnologia da Itália, com locomotivas para entrar, um submarino real, réplicas de embarcações históricas, hangar de aviação e até uma área dedicada à história espacial italiana.
Quanto custa o ingresso do Museu Leonardo da Vinci em Milão? 13€ para adultos e 8€ para crianças acima de 3 anos, comprado direto na bilheteria.
O que fazer perto do Duomo de Milão? A Galeria Vittorio Emanuele II fica colada na praça e liga direto ao Teatro La Scala. Também há a livraria Mondadori ao lado do Duomo, com andar inteiro dedicado a livros infantis.
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