Familia com Samuel comemorando na Ponte de Rialto com vista do Canal Grande em Veneza
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Veneza em 1 Dia: Vale a Pena o Bate e Volta de Bolonha?

Fazer Veneza em bate e volta parece loucura. Uma cidade cheia de história e cultura, encaixada entre um café da manhã em Bolonha e o trem de volta no fim da tarde. Mas foi exatamente isso que fizemos: pegamos o trem de manhã cedo, caminhamos a cidade inteira com uma criança de 5 anos, e voltamos no mesmo dia. Neste post, o roteiro completo, os preços reais e os detalhes que ninguém avisa antes de ir, incluindo o passeio de gôndola que quase virou uma dor de cabeça.

Como chegar a Veneza saindo de Bolonha

A base da família durante essa parte da viagem pela Itália era o Mercure Bologna Central, a poucos passos da estação de trem de Bolonha. Depois do café da manhã no hotel, foi só atravessar a rua para pegar o trem.

Compramos passagem pela Trenitalia com a tarifa “family”: ao colocar um adulto, uma criança pode viajar de graça. Assim, os adultos pagaram normalmente e o Samuel viajou sem custo. O trem era o 9404, vagão 5 (coach CA), assento 3A, com saída às 9h01 de Bolonha e chegada em Veneza às 10h34: cerca de 1h33 de viagem.

Esse foi o único trem, entre todos os que pegamos na Itália, em que alguém realmente conferiu as passagens. Vale sempre ter o bilhete em mãos, mesmo que raramente peçam.

Um detalhe que faz diferença com criança pequena: levamos o carrinho do Samuel durante todo o passeio. No trem, o espaço para bagagem em cima do banco comportou o carrinho dobrado sem problema, e ele ainda serviu para guardar água e outros itens ao longo do dia em Veneza.

Rudi e Carol sentados no trem Frecciarossa a caminho de Veneza
A gente aproveitou o trajeto de trem para descansar um pouco antes do dia intenso em Veneza.

O Samuel, claro, aproveitou a viagem à sua maneira: quis saber se tinha “TV de verdade” no vagão e ficou de olho em cada paisagem que aparecia pela janela.

Samuel sorrindo dentro do trem Frecciarossa durante o trajeto até Veneza
Samuel curtindo a janela do trem, na expectativa para chegar em Veneza.

A taxa de acesso a Veneza que quem faz bate e volta precisa saber

Existe uma taxa de acesso obrigatória para quem visita Veneza em bate e volta às sextas, sábados e domingos, entre abril e julho: 10€ por pessoa, ou 5€ se comprada com antecedência. A gente esqueceu de comprar antes e acabou pagando os 10€ no dia anterior à visita. Curiosamente, ao chegar na cidade, ninguém fiscalizou ou pediu qualquer comprovante dessa taxa.

Mesmo assim, vale se planejar e comprar com antecedência: além de economizar, evita qualquer imprevisto caso a fiscalização aconteça no seu dia.

Primeira vista: Estação Santa Lucia e o Grande Canal

Descer do trem na Estação Santa Lucia e sair direto para o Grande Canal é um dos momentos mais bonitos de chegar em Veneza. Não tem transição: você desce as escadas da estação e já está diante da cidade que só existia em foto.

Logo na saída, uma ponte cheia de gente conecta a estação ao restante da cidade, e é ali perto que fica o ponto de venda de passes para quem vai se deslocar com malas grandes.

Família em cima de ponte com vista para o Grande Canal de Veneza
Nossa primeira parada para foto, com o Grande Canal logo atrás.

Uma cidade construída sobre estacas de madeira

Veneza nasceu no século 5, quando refugiados fugiram de invasões bárbaras para se esconder nessas ilhas no meio da lagoa. O que começou como esconderijo virou uma das cidades mais ricas da Europa. Hoje são mais de 100 ilhas ligadas por mais de 400 pontes, e nenhuma rua tem carro: até a ambulância se desloca de barco.

A curiosidade que mais impressiona é como a cidade fica em pé sobre a água. Os venezianos cravaram milhões de troncos de madeira no fundo da lagoa, um do lado do outro, até formar uma base sólida. Sem oxigênio, a madeira não apodrece, ela petrifica. Os prédios que você vê hoje estão sobre uma floresta enterrada há mais de mil anos.

Carol posando em ponte de canal estreito no centro histórico de Veneza
Cada esquina em Veneza tem um canal e uma ponte diferentes, e é impossível não parar para fotografar.

O banheiro público que ninguém avisa

Um detalhe prático que vale saber antes de ir: em vários corredores e becos de Veneza, o cheiro de urina é bem forte, resultado da falta de banheiros públicos suficientes pela cidade. Encontramos um banheiro público pago, funcionando das 9h30 às 19h30, custando 1,50€, com uma maquininha que aceita pagamento por aproximação do cartão. Prático, mas vale já ir com essa expectativa e não deixar para última hora com criança pequena.

Ponte de Rialto: história e o ponto mais cheio da cidade

Chegamos na Ponte de Rialto por volta do meio-dia, e não teve dúvida: foi o trecho mais movimentado de todo o passeio. Por quase 300 anos, a Rialto foi a única forma de atravessar o Canal Grande a pé. A versão de pedra que existe hoje é de 1591, construída depois que duas pontes de madeira anteriores caíram ou pegaram fogo. Michelangelo chegou a disputar o projeto da ponte, e perdeu.

Com tanta gente tentando tirar foto ao mesmo tempo, praticamente não sobra espaço livre na lateral da ponte. Se você estiver com criança ou empurrando carrinho, segure bem perto e fique atento aos seus pertences: em lugares cheios como esse, vale sempre manter a mochila na frente do corpo.

Gôndola preta atracada em canal estreito entre prédios históricos de Veneza
Um dos canais mais charmosos que encontramos no caminho até a Rialto.

Vale a pena reservar um tempo ali, mesmo com a multidão, porque a vista do Canal Grande a partir do ponto mais alto da ponte é um dos cartões-postais mais bonitos de Veneza.

Família posando na Ponte de Rialto com vista do Canal Grande ao fundo
Do alto da Rialto, dá para ver boa parte do movimento do Canal Grande.

Almoço na Trattoria Ca’ Dolfin

Para o almoço, escolhemos a Trattoria Ca’ Dolfin, um restaurante com boas avaliações no Google, especializado em massas e frutos do mar. Rudi pediu um espaguete alle vongole, o Júnior pediu espaguete frutti di mare, e Carol dividiu com o Samuel um espaguete ao pomodoro, mais simples, parecido com o macarrão de domingo que a família faz em casa.

Um detalhe interessante do serviço: eles trazem toalhinhas úmidas para limpar as mãos, já que comer frutos do mar como mexilhão costuma sujar bastante os dedos.

Prato de espaguete com mexilhões e frutos do mar servido na Trattoria Ca Dolfin em Veneza
A cara de surpresa do Rudi ao ver o tamanho do prato de frutos do mar.

Na hora de fechar a conta, veio um probleminha: cobraram coperto (a taxa de serviço por pessoa sentada à mesa) para 5 pessoas, mas a Ionice não tinha comido nada. Avisamos, e o restaurante corrigiu na hora sem problema: coperto só é cobrado de quem realmente senta e come. A conta final ficou em 68€ para o grupo.

Samuel comendo macarrão ao molho de tomate em restaurante de Veneza
Samuel aprovando o espaguete ao pomodoro, a opção mais tranquila do cardápio para os pequenos.

Praça de São Marco e a região de lojas de luxo

Chegamos na Praça de São Marco por volta das 14h30, com o passeio tendo começado às 11h e uma pausa longa para o almoço no meio. Napoleão chamou essa praça de “o salão de visitas mais elegante da Europa”, e a fachada dourada da Basílica guarda uma história pesada: os quatro cavalos de bronze na entrada foram trazidos de Constantinopla em 1204, quando os venezianos saquearam a cidade durante uma cruzada. Estão ali desde então.

Samuel na Praça de São Marco com o Campanile ao fundo em Veneza
O Campanile de São Marco domina a vista da praça de qualquer ângulo.

Do lado da praça, ficamos surpresos com a quantidade de lojas de grife concentradas ali: Louis Vuitton, Bulgari, Dolce & Gabbana, Gucci e Chanel, uma ao lado da outra. Não esperávamos encontrar tanta loja de luxo em meio aos canais.

Para refrescar, paramos na sorveteria Il Salotto di San Marco para um gelato artesanal: o cone pequeno custou 3€ e o tamanho regular, 5€. Os sabores de caramelo e stracciatella, essa última bem generosa em chocolate e com boa crocância, foram os mais elogiados pela família.

Carol experimentando gelato artesanal em sorveteria de Veneza
Parada obrigatória para gelato depois de horas caminhando sob o sol de Veneza.

Palazzo Ducale e a Ponte dos Suspiros

O Palazzo Ducale foi a sede do poder de Veneza por mais de 700 anos. Dali sai a famosa Ponte dos Suspiros, que leva direto às antigas prisões da cidade. O nome vem dos prisioneiros que suspiravam ao ver Veneza pela última vez, antes de serem trancados. O ingresso para o Palazzo é sempre com hora marcada, então vale reservar com antecedência se quiser conhecer o interior.

Ponte da Accademia: menos cheia, vista igualmente bonita

Seguindo o roteiro, paramos também na Ponte da Accademia, bem mais vazia que a Rialto, mas com uma vista igualmente bonita do Canal Grande. Valeu a parada só para a foto, especialmente porque dava para ver um número incomum de barcos passando, provavelmente por causa de uma competição que parecia acontecer na cidade naquele domingo.

O passeio de gôndola que quase deu errado

Nenhum passeio por Veneza está completo sem andar de gôndola, e foi um dos momentos mais esperados pelo Samuel. Só que num domingo de alta demanda como o nosso, praticamente todo mundo já estava com reserva feita, e reservar com antecedência custa 10€ a mais para garantir a vaga.

A descoberta de última hora foi que o pagamento é feito só em dinheiro. Para resolver, Rudi sacou dinheiro num caixa eletrônico com o cartão da Wise, pagando uma taxa de saque de 3,90€.

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Rudi e Carol sentados em gôndola durante passeio pelos canais de Veneza
Finalmente no passeio de gôndola que o Samuel tanto esperava.

Sobre o preço: o passeio básico de 30 minutos custa 90€ (o equivalente a cerca de R$ 600), e opções mais longas, de 1h ou 1h20, saem entre 110€ e 120€. O preço é tabelado e não tem margem para negociar.

O que não gostamos foi que o passeio contratado, de 30 minutos, durou apenas 15. O gondoleiro alegou que o tempo de espera pelo saque do dinheiro contava como parte do passeio contratado, o que não fazia sentido, já que o saque levou poucos minutos. Vale o alerta: combine claramente o horário de início antes de embarcar, e se possível, já esteja com o dinheiro em mãos antes de reservar. De qualquer forma, o Samuel ficou feliz com a experiência, que no fim é o que mais importa.

Samuel sentado na gôndola durante passeio pelo Canal Grande em Veneza
Samuel guardando essa lembrança por muito tempo: o dia em que andou de gôndola em Veneza.

Vale a pena fazer Veneza em bate e volta?

Depois de cerca de 7 horas de passeio, a resposta é: vale a pena, mas com ressalvas. O dia foi cansativo, com sol forte e uma cidade cada vez mais cheia conforme a tarde avançava, mas deu para conhecer os principais pontos com calma, mesmo com criança pequena no grupo.

Se pudéssemos repetir, a mudança seria se hospedar mais perto de Veneza, ou até dentro da cidade, para chegar mais cedo e aproveitar as primeiras horas da manhã com a cidade mais vazia. Bolonha como base funciona bem para quem já está de passagem pela região, mas quem tem só Veneza no roteiro ganha mais tempo hospedando-se por lá.


As Boas de Veneza

  • A primeira vista do Grande Canal. Sair da Estação Santa Lucia e já dar de cara com o canal é surreal.
  • A Ponte de Rialto. Cheia, mas com uma história real por trás (Michelangelo perdeu a disputa pelo projeto).
  • O almoço na Trattoria Ca’ Dolfin. Frutos do mar de verdade, avaliações do Google não enganaram.
  • As curiosidades históricas. Fundação da cidade, os cavalos de bronze de Constantinopla, a lei das gôndolas pretas.
  • O carrinho do Samuel. Ajudou muito a segurar o cansaço da criança ao longo do dia inteiro de caminhada.

O Que Não Foi Tão Bom

  • O passeio de gôndola cortado pela metade. Contratamos 30 minutos e o passeio durou 15.
  • O cheiro forte em alguns becos. Falta de banheiro público suficiente na cidade.
  • A Ponte de Rialto lotada. Difícil até para tirar foto no horário que passamos.
  • A conta do almoço veio errada. Cobraram coperto de uma pessoa que não comeu nada, precisamos corrigir na hora.
  • O cansaço acumulado. Sol forte o dia inteiro e cidade cada vez mais cheia à tarde.

Investimentos do Dia em Veneza

Item Valor
Taxa de acesso a Veneza (por pessoa) €10
Banheiro público €1,50
Almoço na Trattoria Ca’ Dolfin (grupo) €68
Gelato no Il Salotto di San Marco (pequeno / regular) €3 / €5
Passeio de gôndola (30 min) €90
Taxa de saque no caixa eletrônico (Wise) €3,90

Perguntas Frequentes sobre Veneza em bate e volta

Vale a pena fazer Veneza em um bate e volta saindo de Bolonha?
Sim, é possível conhecer os principais pontos de Veneza em um dia saindo de Bolonha de trem, mas o passeio é cansativo. Para quem tem mais tempo disponível, vale considerar se hospedar em Veneza para aproveitar a cidade mais vazia pela manhã.

Quanto custa o passeio de gôndola em Veneza?
O passeio básico de 30 minutos custa 90€, com opções mais longas de 1h ou 1h20 entre 110€ e 120€. O preço é tabelado e o pagamento costuma ser aceito apenas em dinheiro.

Existe alguma taxa para visitar Veneza?
Sim. Quem visita a cidade em bate e volta às sextas, sábados ou domingos entre abril e julho paga uma taxa de acesso de 10€ por pessoa, ou 5€ se comprada com antecedência.

Quanto tempo dura o trem de Bolonha até Veneza?
A viagem de trem entre Bolonha e a Estação Santa Lucia, em Veneza, dura cerca de 1h33.


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